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O poder do nu

Anna Suponeva - Maiorca, Espanha (2011) (Foto: Gavin O' Neill)
Desguarnecido, destituído, destapado, manifesto, descoberto, aparente, simples. Foi assim, na mesma despida pureza com que caímos no mundo, que Gavin O’Neill nasceu para a fotografia: nu.



Alina Baikova - Tulum, México (2014) (Foto: Gavin O' Neill)



O neozelandês era músico, tocava bateria em uma banda. E foi muito por brincadeira que, ainda adolescente, comprou sua primeira câmera. “Só para documentar nossa vida na estrada”, diz. As três semanas de turnê renderam apenas um rolo de filme. Mas, como para o despertar de qualquer paixão basta apenas um olhar, uma imagem foi suficiente. E o que começou como um hobby despretensioso acordou um desejo sincero.

Alina Baikova - Tulum, México (2014) (Foto: Gavin O' Neill)
Desprovido de qualquer instrução formal, foi com luz e alma que O’Neill construiu sua linguagem e seu lugar na fotografia. “Eu não tinha ideia do que estava fazendo, no começo. Apenas explorava as situações ao meu redor e tentava coisas diferentes, até que algo bonito acontecesse.”
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E foi decisivo esse aprender a apreender esses instantes decisivos. Já, há muito tempo, Henri Cartier-Bresson, mestre em retratar e imortalizar cenas do cotidiano e defensor da ideia de que a intuição é a verdadeira e maior técnica para a fotografia, explicara que para fotografar não basta querer, a questão é estar disponível, “e as coisas vêm”. Como de fato vieram para o artista.
Assim, tão sem ornamentos ao fazer fotográfico, não pode ser por coincidência que o tema mais interessante para O’Neill seja justamente a fotografia de nu. “É no que experimento a verdadeira liberdade criativa”, afirma. Explica que é o tipo de fotografia que não permite planejamentos; requer uma entrega absoluta, e sem nenhum preconceito, por parte de modelo e fotógrafo. “Desafia muito mais que qualquer outro gênero porque eu não tenho muleta, não tenho onde ou em que me apoiar: não tenho ajuda de roupa ou maquiagem, meu olhar é a única ferramenta para encontrar as melhores formas e ângulos.”
Barbara Fialho - Tulum, México (2013) (Foto: Gavin O' Neill)

































E que formas e que ângulos! Embora, se perguntado sobre a temperatura destas fotos, num sorriso enviesado, ele comentará sobre os pretos e brancos e cinzas e magentas... Discreto, deixa a pintura da cena que origina seus quadros por conta do interlocutor. “Não tem nada de normal na situação de um ensaio de nu. Basicamente, estou pedindo a uma garota que eu provavelmente não conheço bem para tirar a roupa e ficar nua, na minha frente, por horas, às vezes por dias.”
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Há de se ressaltar que a leveza e a beleza pura, e por vezes delicada, dos corpos expostos por O’Neill em nada tamponam ou mascaram a força bruta e penetrante de suas mulheres. “Eu gosto de mostrá-las como muito confiantes e poderosas. Então, mesmo quando o conceito ou a pose são mais graciosos ou mais relaxados, eu ainda quero passar uma noção de poder na imagem.”

Seu singular trabalho renderá um livro exclusivo, ainda sem título definido. Está previsto para o início do ano que vem o lançamento da edição, de apenas mil cópias, numeradas e assinadas, com os belos ensaios de nu. A obra será vendida pelo site do fotógrafo (gavinoneill.com). A verdade é que mesmo aqui ele entrou desavisado: foi o acaso que despiu pela primeira vez alguém para sua objetiva.

O fotógrafo conta que estava retratando um casal em sua residência quando um deles se sentiu mal e pediu que encerrassem a sessão. Os dois se retiraram e, enquanto Gavin se preparava para ir embora, depois de arrumar suas coisas, passou em frente ao quarto e, pela porta entreaberta, entreviu os namorados deitados na cama; não resistiu à beleza da cena e, excitado pela oportunidade que se apresentava, perguntou se poderia se juntar a eles. Uma coisa levou a outra e... eles aceitaram! Deixaram-se capturar pelo artista. “As fotos daquele rápido ensaio ainda são algumas de minhas favoritas, e uma delas muito provavelmente será a capa do meu livro.”
Gavin O' Neill (Foto: Divulgação)
É muito difícil fazer uma imagem que se destaque na avalanche diária de instantâneos filtrados e pré-fabricados e muita forma e pouco tempo para ver conteúdo. Mas a simplicidade e sinceridade das fotografias de O’Neill capturam de imediato. Cativam o espectador pela crueza de seu hiper-realismo e o surpreendem com a potente singeleza de suas formas. Seu olhar faz nus não apenas de pele os belíssimos corpos que retrata: alcança despir-lhes muito mais intimamente, expondo-lhes a alma.

Gavin O’Neill galgou o que muitos almejam e poucos alcançam na fotografia: suas imagens têm luz e personalidade próprias.

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