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Fábrica de orgasmos: ela existe, tem no Brasil e é pra ir a dois!

Bem vinda à Fábrica de Orgasmos (Foto: Reprodução Fräulen/Ellen Von Unwerth)


A sala de massagem estava bem quentinha (fazia frio lá fora). No chão, dois colchões embrulhados com lençol macio, cheirando a amaciante – sou nojentinha, e esse detalhe fez toda diferença pra que me sentisse bem ali. A luz estava apagada, e um abajur cor de carne, um lençol azul, cortinas de seda, o seu corpo nu... mentira! Essa é a letra de "Menina Veneno". Na verdade, o abajur emitia luz azul, o que deixava o ambiente aconchegante, tipo de lugar que te abraça e protege. Senti uma coisa boa. Estava muito menos tensa do que imaginei.


As terapeutas Lilian (Deva Leela) e Leticia (Deva Bhakti) – você pode escolher e tem foto de todo mundo no site – puxaram um papo ameno, desses de elevador, pra quebrar o gelo. O tempo, blá-blá-blá. Então se apresentaram pra gente, enumeraram suas formações – terapeutas corporais, uma doula, outra mestra em reiki. E explicaram o que faríamos ali: cada uma assumiria um de nós. Deitaríamos nus, lado a lado, e teríamos nossas experiências separadamente, ainda que pudéssemos dar as mãos, trocar olhares e tal. A regra era clara: sem sexo!
 
Olhando fundo nos olhos do outro 
Tiramos a roupa – ok, ok: nos julgamos modernos, mas nessa hora rolou um constrangimento. Elas nos pediram pra sentar um de frente pro outro, minhas pernas sobre as dele, entrelaçando seu corpo. Aumentaram a música – que, veja bem, não era música-de-massagem-tipo-Enia. Era um som mais energético, trilha pra te levar pra uma outra vibração mesmo. 


O exercício era olhar um pro outro, bem no fundo dos olhos, por cerca de três minutos. Meu Deus, que lindo! Emocionei. Vem tudo: o cheiro da pessoa, a respiração, o filme da história de vocês refletida ali naquele par de olhos. É o primeiro passo pra conexão do casal. Por que não fazemos isso mais vezes?, pensei. Tão simples e tão cheio de significados.
 
A primeira etapa: prazer no corpo todo 
Deitamos. Inevitável uma taquicardiazinha. A coisa ia de fato começar. Começou. Vibrador, penetração? Nope: nada de toque nas partes íntimas por uns bons 50 minutos. A massagem se inicia suave, com... cócegas. Um carinho bem leve que percorre o corpo todo, da ponta dos pés até a cabeça. Ele acaricia cada pedacinho, menos lá. A ideia é tirar mesmo o foco dos genitais, despertar os sentidos e te trazer pro aqui-agora. Sem passado, sem futuro, só presente. Acordar o corpo, ampliar a liberação de energia, adquirir um novo estado de percepção e consciência – é o princípio da meditação, oras!
 
Arrepia, dá choquinho e é deliciosamente relaxante. Corpo todo desperto, ouço o barulho do látex. Hum, elas vão usar luvas. Então chegou a hora dos toques mais íntimos. E eles logo vêm.
 
O orgasmo 
O primeiro toque lá é delicado. São alguns minutos de exploração geral, sem se demorar em um ponto específico. A gente fica alerta esperando onde e como ela vai tocar. É uma tensão gostosa. Naquele momento, nada é mais importante que o próximo movimento. E o próximo movimento leva ao meu primeiro orgasmo. Tão suave e tão intenso ao mesmo tempo, como pode? Mas acima de tudo consciente. Parece que, no mundo inteiro, só existimos eu e meu orgasmo. Esse primeiro ainda silencioso e sutil, todo internalizado. Minha mão e a do meu marido, deitado à minha direita, se encontram. E seguimos assim, conectados, até o fim das 2h de tratamento. 
 
A primeira penetração com o dedo não demora. A terapeuta meio que faz manobras ali,
internamente. Depois fui entender que elas tonificam os músculos sexuais, preparando-os pra níveis mais elevados de prazer. O que é = orgasmos mais power. Deu certo. O segundo clímax veio forte, seguido pelo terceiro num intervalo de segundos – alô, orgasmo múltiplo! Foi tão sensacional que não segurei o grito. Vergonha, inibição? Àquela altura, amiga, você já está completamente entregue, à vontade. A música, cada vez mais ritmada e intensa, tocava alto. Você, a terapeuta, a música, os espasmos musculares, o marido ao lado, seus gemidos e os dele... é uma catarse!


São tantas sensações provocadas, ora no clitóris, ora na virilha, nos lábios, na vagina que, nem sei... parece que ela está atuando numa região de enooormes proporções. É o que eles ali chamam de expansão sensorial íntima. O prazer é cumulativo e progressivo. A sensação de gozo é permanente."
Não quero voltar a realidade
A terapeuta diminuiu o ritmo. A respiração foi se acalmando, a consciência foi sendo retomada. Mas o padrão energético do corpo estava totalmente transformado. Você fica meio pastosa, menos racional. Mergulhada num estado amoroso. Evandro Palma, que coordena a unidade da Vila Madalena do Centro Metamorfose, em SP (eles atuam em 19 estados), diz que os estímulos todos nos expuseram a um “coquetel hormonal de ocitocina, endorfina e serotonina”. Isso explica o bem-estar, a sensação de paz & amor que sentia. 

Estava mergulhada num quentinho aconchegante e relaxante – “Tantra é o relaxamento do coração”, Evandro definiu pra mim – e lamentei demais ter que levantar, tomar banho, colocar minha roupa e voltar à realidade. No espelho do banheiro, a cara de abobada denunciava cada orgasmo das últimas duas horas. 
 
E dá vontade de transar depois? Olha... imediatamente depois não – a sensação é de uma leve embriaguez, de preenchimento interior total. Mas no dia seguinte... Eu digo em alto e bom som – oh, não, como isso é revista, eu escrevo em letras garrafais: EXPERIMENTEM! Deem de presente de aniversário, façam surpresa, comemorem anos de namoro ou casamento por lá.

 

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